Pós Parto

O bebê é considerado prematuro quando não teve o tempo necessário para desenvolver-se dentro do útero, ele vai precisará se desenvolver após o nascimento.

Nem todos os prematuros apresentam maiores complicações além da necessidade de ganho de peso, aquecimento e muito amor de sua família.

Descrevemos algumas características que são comuns aos bebês prematuros e possíveis complicações para que os pais estejam atentos e busquem o acompanhamento necessário, principalmente após alta hospitalar.

Logo ao nascerem os bebês prematuros apresentam algumas características, como por exemplo:

  • Seu corpo é pequeno em comparação ao tamanho da cabeça.
  • Ele não acumulou as gordurinhas comuns nos bebês nascidos no tempo certo, então ele é mais magrinho.
  • A temperatura do corpo de um prematuro é mais baixa e ele tem maior dificuldade em manter a temperatura.
  • Sua pele e seus vasos sanguíneos são mais frágeis, por isso, quando ele precisa de alguma medicação ou fazer qualquer exame de sangue não é raro que fique marcado, ou que a enfermeira “perca sua veia”.
  • Ele apresenta dificuldade para respirar, alguns bebês fazem uma longa pausa entre uma e outra respiração, o nome disso é apneia. Quando eles fazem isso, seus lábios e até seu rosto podem ficar arroxeados.
  • Os seus reflexos para sugar e engolir o leite são maiores, por isso ele tem mais dificuldade mamar sozinho. Durante os primeiros dias, ele receberá o leite materno por meio de uma sonda, ou uma alimentação especial que segue pela veia do bebê.

As complicações que podem ocorrer e os cuidados necessários que os pais devem estar atentos:

RESPIRATÓRIOS

Para os pequenos que nasceram antes de completarem a 35º semana de gestação a dificuldade para respirar e expandir os pulmões é maior, e isso acontece porque falta uma substância chamada surfactante. Essa falta pode levar ao desenvolvimento da síndrome do desconforto respiratório, ele fica muito cansado, respira muito rápido e sente com a falta oxigênio. Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ele deverá usar oxigênio e alguns, também precisam respirar com ajuda de aparelhos.
Os prematuros também podem desenvolver displasia broncopulmonar, um tipo de doença pulmonar causada por infecções, má formações ou acumulo de liquido nos pulmões. O tratamento envolve um cuidado especial com a alimentação dele para que ele ganhe peso, uso de oxigênio, medicamentos e prevenção de infecções.
As mães também devem ficar atentas ao calendário de vacinação do prematuro, que é diferente do bebê nascido no tempo certo, entre as vacinas especiais, existem algumas doses especialmente para prevenir doenças respiratórias nos prematuros.

CARDÍACOS

Existe um canal arterial que liga a artéria pulmonar à artéria aorta. Esse canal permanece aberto durante a gestação, mas deve se fechar algumas horas após o nascimento. Nos bebês prematuros essa abertura pode não se fechar (Persistência de Canal Arterial), a quando isso acontece o tratamento pode ser feito com uso de medicamentos para auxiliar o fechamento ou, quando só a medicação não ajuda, é necessário fazer uma cirurgia para a correção.

PROBLEMAS NEUROLÓGICOS

Quando o bebê nasce antes da 28º semana de gestação ele corre o risco de ter hemorragia no cérebro (hemorragia intraventricular). Muitas se resolvem naturalmente, e não há nenhum dano permanente para o bebê, porém, em alguns casos podem ocorrer lesões permanentes. Nesse caso, a mãe deve estar bem informada com a equipe para o acompanhamento do bebê com as terapias indicadas pela equipe, mesmo após a alta hospitalar. O desenvolvimento do bebê deve avaliado por uma equipe de profissionais especialistas, assim, ele poderá crescer com saúde e reduzir os danos na vida futura.
Alguns bebês desenvolvem paralisia cerebral por falta de oxigenação no cérebro, infecções ou prematuridade. A paralisia é um conjunto de desordens musculares e motoras, e de acordo com o grau da paralisia os cuidados serão maiores durante a internação e após a alta. É muito importante que os pais saibam dessa condição para já procurarem os especialistas que darão sequencia as terapias, de preferência antes mesmo do bebê receber alta hospitalar.

TEMPERATURA

Os prematuros nascem com pouca reserva de gordura no corpo, por isso é tão difícil ele se aquecer ou manter a temperatura do corpo. Outro ponto importante na temperatura do bebê é que o neném gasta muita energia para se aquecer e essa energia, em vez de ser utilizada para que ele ganhe peso e cresça, acaba sendo gasta para que ele se aqueça. Quando a temperatura do corpo o bebê abaixa demais é chamado de hipotermia, isso também pode gerar mais dificuldade para ele respirar e para manter a taxa de glicose no sangue. Por isso, durante a internação no hospital o bebê prematuro é mantido em uma incubadora térmica, e muitas vezes, a equipe se saúde vai pedir que a mãe coloque o bebê em contato com a própria pele para receber calor diretamente da mãe, esse método é conhecido como mãe canguru e os pais também podem e devem fazer isso. Antes que o bebê chegue em casa é recomendado manter a casa fechada e quentinha, evitando correntes de vento.

GASTROINTESTINAIS

Quando o neném nasce antes do tempo, o intestino pode não estar totalmente maduro e, ao receber o alimento pela primeira vez, ele pode sofrer lesões ficar inflamado (enterocolite necrotizante). O tratamento é intensivo e algumas vezes é necessária uma intervenção cirúrgica. Em quadros mais graves, o intestino pode ser perfurado (peritonite) gerando uma infecção generalizada (sepse).

DOENÇAS HEMATOLOGICAS

Prematuros podem apresentar anemia nos primeiros meses de vida, que deve ser corrigido de forma simples ou por meio de uma transfusão de sangue. Se o bebê apresentar coloração amarelada na pele e nos olhos pode ser icterícia, e nesse caso, o bebê deverá ficar uns dias em tratamento com fototerapia. Esse tratamento não provoca nenhuma dor e geralmente é resolvido em uma semana. Se o bebê ficar com os olhos ou pele amarelada em casa, é importante avisar o médico.

PROBLEMAS DE VISÃO

Os bebês podem desenvolver uma doença chamada retinopatia da prematuridade, se não for detectada e corrigida, essa doença pode prejudicar a visão e até levar a cegueira. Os pais devem se certificar se será necessário manter o acompanhamento com um especialista após a alta.

Para alguns bebês as dificuldades não aparecem ao nascimento ou logo na chegada em casa, mas na escola com maior dificuldade no aprendizado, problemas de comportamento, dificuldade para ouvir ou ver. As mães devem ficar atentas e compreender a criança, para poderem ajuda-la no que for possível e necessário.